sexta-feira, 30 de julho de 2010

Morar carioca.

Sérgio Magalhães
A Prefeitura do Rio divulgou o compromisso de urbanizar todas as favelas cariocas até o ano 2020. Trata-se do programa Morar Carioca, que se compõe ao legado social da Olimpíada de 2016.
A divulgação se deu durante solenidade de assinatura de convênio entre a Prefeitura/Secretaria Municipal de Habitação e o Instituto de Arquitetos do Brasil-IAB/RJ cujo objetivo primeiro é o concurso público para a seleção das equipes que elaborarão os projetos urbanísticos, estimados em 260, para a urbanização das mais de 500 favelas integrantes do programa.
A história do Rio, há mais de cem anos, é indissociável das suas favelas. No começo, foram consideradas efêmeras, que o desenvolvimento do país equacionaria. Lei de 1937 proibiu que o mapa da cidade incluísse suas favelas. Quando ultrapassavam as centenas, passou-se à política de remoção compulsória. A reação social a inviabilizou. Não sem antes produzir grandes guetos localizados nas fraldas da cidade e que, após quarenta anos, ainda são lugares isolados e de muita pobreza.A revisão política dos anos 1980 reconheceu as favelas como realidade social e urbanística. Implantaram-se as primeiras redes sanitárias.
A revisão doutrinária do urbanismo e as condições econômicas do país permitiram que em 1994 a Prefeitura iniciasse o programa Favela-Bairro, de urbanização das favelas consolidadas.
O Morar Carioca aproveita a rica experiência dessas últimas décadas e visa ampliá-la, no objetivo da superação plena desse enorme desafio de integração social e urbanística. No âmbito do programa, urbanizar é tornar cidade.
O Convênio SMH-IAB também prevê promover a reflexão sobre essa experiência. Desde que o Favela-Bairro começou, as condições e exigências por certo se modificaram. Na perspectiva de 2020, como proceder para que as favelas cheguem lá plenamente inseridas à cidade? Refletir sobre a experiência, medir vitórias e derrotas, compreender as circunstâncias, poderá resultar em revisão dos parâmetros a serem atendidos por projetos e obras. Quais as novas exigências quanto ao sistema viário? Quanto às redes públicas? O que especificar para conservação e manutenção econômicas? Quais equipamentos sociais necessários? Onde localizá-los?
A reflexão, que o IAB-RJ organizará em conjunto coma SMH, por certo incluirá o tema das moradias precárias e do adensamento exagerado, onde há danos sanitários e ambientais. Melhorar a casa, com assistência e crédito, há de ser uma demanda importante nos próximos anos. O desadensamento implicará na construção de novas moradias. Aproveitar vazios urbanos e edificações ociosas, como há na zona Norte suburbana, é caminho possível.
É claro que um programa como esse só pode ir à frente com o franco apoio e a participação das comunidades envolvidas e de suas lideranças experientes. O IAB espera contar com a participação de instituições profissionais e acadêmicas, onde o Rio e suas favelas são objeto de estudo de muitos grupos.
Contudo, para além dos aspectos técnicos da urbanização, de inescapável complexidade, dois conceitos centrais são essenciais: respeito à diversidade e sustentabilidade.
No Rio, a multiplicidade morfológica é uma riqueza ambiental e cultural que caracteriza a cidade. As grandes Zonas são distintas entre si; e mesmo bairros vizinhos o são. Nas favelas ocorre o mesmo, entre si e em relação ao entorno. Em alguns casos há contraste (Santa Marta e Botafogo), em outras há semelhança formal (parte da zona Oeste).
No Rio, urbanizar favela é dotá-la de condições de contemporaneidade a partir de desenho urbanístico que reconheça as preexistências e as incorpore à cidade. É um trabalho sofisticado que arquitetos tem exercido com competência. Certamente, é trabalho em sintonia com a teoria mais avançada do urbanismo contemporâneo.
Integrar as favelas à cidade é também ampliar a cidade às favelas. Ampliar através dos serviços públicos necessários à vida urbana de hoje.Isto significa novos custos financeiros para a administração pública. Novos custos a serem cotejados aos prejuízos sociais, ambientais, econômicos e políticos hoje existente.
Assim, a sustentabilidade dos investimentos estará suportada justamente na presença permanente dos serviços públicos na cidade ampliada. Todos eles, inclusive o de controle urbanístico e o de segurança pública. Logo, na garantia de não expansão da ocupação das comunidades urbanizadas e da plena recuperação para a constitucionalidade dos territórios hoje ocupados militarmente por bandidos.
Essa dupla garantia talvez seja o maior dos desafios que a cidade precisará vencer, de modo a que, a partir de 2020, possa percorrer o século 21 no caminho da democratização social.
Mas, é certo, ele será alcançado!

Notícias relacionadas:
Observatório de Favelas: "Morar Carioca"

terça-feira, 27 de julho de 2010

Em tempo real


Sérgio Magalhães
O arquiteto franco-brasileiro Márcio Tomassini chamou a atenção para a versão digital do jornal francês Le Monde, que tem uma coluna sobre o tempo e outra coluna, ao lado, sobre o trânsito na cidade metropolitana de Paris.
Você quer sair e confere o clima, escolhe a roupa; confere o trânsito, escolha a rota. Se mudar o tempo e a roupa escolhida não se adaptar às novas circunstâncias, tem chance de passar frio, ou calor, ou ficar encharcado. Mas se o trânsito engarrafar, pode sempre escolher outro caminho. Basta ter o site do Le Monde à mão.
Márcio já encontrou também outro site que informa on line sobre a rede de metrô e trens metropolitanos da região parisiense.
Todos sabemos que o metrô de Paris é o máximo. Tem 350 estações, apenas no núcleo. Agora, a região metropolitana de Paris, que tem um sistema radial, terá um anel metroviário interligando todas as comunas da região. Lembremos que a Grande Paris tem uma população equivalente ao Grande Rio.
Os trens chegaram ao Rio apenas 20 anos depois de chegarem a Paris. Mas no metrô, Paris está investindo há 110 anos. Nós, há apenas quarenta anos. Nosso tempo real tem diferença de 70 anos!Chegaremos lá? Chegaremos lá!

Site do Le Monde: www.lemonde.fr

domingo, 25 de julho de 2010

Beleza e qualidade

*Artigo publicado originalmente no O Globo de 24/07/2010
Sérgio Magalhães
Ao sobrevoarmos São Paulo nos impressiona a massa infinita de altos edifícios. Em Belo Horizonte ou Curitiba temos modelo semelhante, embora menos radical. Nessas cidades, o edifício alto é hegemônico na definição da imagem urbana.
Em “A arquitetura da cidade”, o professor italiano Aldo Rossi avalia que as cidades são constituídas por um tecido urbano genérico que é pontuado por edificações excepcionais, as quais ajudam a compor a identidade coletiva
É o modelo de Paris: o tecido é constituído por edificações com seis andares.
Em pontos especiais, reforçados pelos bulevares, se localizam edifícios que se caracterizam pela qualidade,uso ou significado, não necessariamente por tamanho e altura.
Nova York é outro caso de interesse. Seus arranhacéus se organizam entre ruas e avenidas, as quais constituem também a imagem ambiental da cidade. O traçado do espaço público não submerge aos altos edifícios.
Esses exemplos evidenciam a diversidade na conformação das cidades e o desempenho das edificações no reconhecimento coletivo.
No Rio, a simbiose entre geografia e arquitetura define a multiplicidade morfológica que caracteriza a cidade.
Os indivíduos arquitetônicos não são mandatários do ambiente construído.
Não há uma imagem arquitetônica prevalecente. O conjunto, cada conjunto urbano, é o principal agente.Talvez por isso é que os cariocas dos anos setenta tenham atendido ao chamado de Millôr Fernandes e do“Pasquim” no combate ao “espigão”, invasor da escala.
No Rio, os edifícios que embasam a identidade cidadã sabem se inserir na ambiência, têm capacidade de se compor com as preexistências. São obras primas de interesse coletivo, como o Outeiro da Glória, Teatro Municipal, igreja da Penha, Central do Brasil, Maracanã, Museu de Arte Moderna, e, com liberdade de interpretação, o Pão de Açúcar, o Corcovado, a Lagoa.
Não obstante, ao intervir na cidade, quiçá definitivamente, a obra de arquitetura não é banal. Pequena que seja, sempre é de interesse coletivo. Ela compõe a complexidade do ambiente urbano. Na Cidade Maravilhosa, cada obra há de aspirar corresponder ao ambiente excepcional que a acolhe.
Os arquitetos defendem a escolha dos projetos de obras públicas por concurso. Não será uma opção corporativa, pois implica em uma participação muito maior e mais custosa do conjunto dos profissionais que se habilitam.
Certamente, é o reconhecimento da responsabilidade social que a arquitetura retém.
Foram escolhidas por concurso obras-primas como o Monumento aos Pracinhas (arquitetos Marcos Kondere Hélio Ribas) e o Aeroporto Santos Dumont (arquitetos MM Roberto).
Mas, também, são obras-primas outras em que a escolha não o foi por concurso, como o Museu de Arte Moderna (Afonso Reidy) e o Aterro do Flamengo (Burle Marx).
Agora, o Rio terá o Museu do Amanhã, projeto do espanhol Santiago Calatrava. O arquiteto é reconhecidamente competente, seu estudo preliminar tem características excelentes.
Precisa ser bem construído, a exemplo da Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, de autoria do português Siza Vieira, obra de altíssima qualidade. Não diria o mesmo da Cidade da Música, de Portzamparc.
Sugere que o arquiteto francês ficou sem interlocução, levando-o ao exagero programático e projetual.
Por que Calatrava, Siza, Portzamparc, fazem obras tão qualificadoras? Porque são talentosos e em seus países se exercita a cultura arquitetônica — onde, em geral, os projetos são escolhidos por concurso.
Obras de alta qualidade são fruto dos projetistas, mas igualmente dos seus clientes, atentos à cultura. Nesse particular o concurso é modalidade imbatível, ao reduzir a discricionariedade dos agentes detentores das decisões, nem sempre dedicados à melhor escolha.
No Rio, sendo o espaço coletivo o cerne da ambiência, a qualidade das obras de interesse coletivo é fundamental.
Não dá para perder oportunidades, como, infelizmente, constato em ponte ferroviária e outra peatonal construídas recentemente na avenida Presidente Vargas.
Com a Copa de 2014 e com a Olimpíada de 2106 se multiplicarão as possibilidades: novas infraestruturas— avenidas, passarelas, estações —, vilas residenciais, equipamentos esportivos, edifícios de escritórios,hotéis, a reforma do aeroporto (como será o novo Galeão? Será capaz de mitigar sua atual mediocridade?).
Construir é importante, mas não basta. O carioca merece a garantia de que cada nova obra esteja em sintonia com a beleza e a qualidade do espaço de sua cidade. Não será inédito: é a sua própria experiência de rica arquitetura, a do bom edifício e do bom ambiente urbano, justamente como foi feita a Cidade Maravilhosa.

sábado, 24 de julho de 2010

Mistérios da percepção e da memória.

Sérgio Magalhães
A foto que o Lucas pescou na internet me remeteu a uma perda que já havia percebido mas que não atinara em que condições.
Lembro como me encantava cada vez que chegava à Lagoa pelo Rebouças. Bastava sair do túnel e nos deslumbrava uma paisagem larga e clara, belíssima.
De uns tempos para cá, deixei de sentir a mesma sensação. Pensei que me acostumara ao paraíso e já não percebia mais toda a beleza.
Mas esta foto me coloca uma questão: talvez a saída do túnel já tenha outros contornos para a moldura da Lagoa.Se repararmos bem, o quarteirão à direita, o primeiro da rua Jardim Botânico, era todo de construções baixas e agora não é mais. E, ainda, o que não me parece pouco relevante, um pouco à frente, os canteiros passaram a ter árvores, onde antes era apenas gramado.
Assim, agora nós nos deparamos com a Lagoa já um pouco depois da saída do túnel, quando o impacto da luz já não é mais o mesmo, e o ângulo de visão já modificou.
Não é a Lagoa, mas como e de onde a vemos.
Mistérios da percepção e da memória.

domingo, 18 de julho de 2010

Políticos, atenção: cidade dá votos.

Sérgio Magalhães
Conversava há dias com um amigo muito entendido em política eleitoral. Perguntava o motivo pelo qual os políticos brasileiros não tratam de temas urbanos, embora mais de 80% dos brasileiros morem em cidades. Digo que não tratam, porque entra eleição e sai eleição e problemas nitidamente urbanos passam ao largo das campanhas. Agora mesmo, os programas eleitorais conhecidos não destacam a cidade como lugar a ser privilegiado no governo.
Meu amigo ponderou que talvez sejam temas que não empolguem o eleitorado. Minha opinião é outra: se colocado na pauta do debate, por certo terão resposta positiva.
Assim, foi com dupla satisfação e curiosidade que li a notícia que o candidato Serra, em sua primeira visita ao Rio de Janeiro depois da convenção, fez uma visita aos subúrbios da Zona Norte em trem da Supervia. E que prometeu transformar o sistema ferroviário em metrô de superfície. Fiz um comentário que está pouco aí abaixo, intitulado “Olha a ZN aí, gente.”
Pois não é que O Globo de hoje anuncia que este projeto foi o que mais aplausos recebeu entre todas as promessas dos candidatos? Pelo “promessômetro” do Globo, transformar os trens em metrô dá votos!

Oxalá a politização do tema possa modificar a realidade, para melhor, é claro.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Um título mundial

Lucas Franco
O Brasil tem muito que aprender com a África do Sul.
Em uma reportagem do JN, o arquiteto e consultor técnico da Fifa, Carlos de La Corte, nos deu a dica:
“O estádio não pode simplesmente ser colocado num lugar da cidade, ele tem que ser pensado urbanisticamente, ele pode regenerar uma região que está deteriorada, pode catalisar um movimento social. O estádio é um grande representante urbanístico da arquitetura que pode mudar uma cidade”


Para fazer um evento como a Copa da FIFA, também nos sobra competência e animação. Mas fazer direito, sem esses estouros astronômicos no orçamento, aproveitando para melhorar a infra-estrutura de transportes e promover a recuperação de áreas degradadas, seria como marcar um gol de placa.
Diria ainda melhor: isso nos valeria um título mundial.

domingo, 11 de julho de 2010

Olha a ZN aí, gente!

Sérgio Magalhães

Com a visita a Bangu pelo trem da Central do Brasil, ante-ontem, o candidato a presidente José Serra se comprometeu a transformar os trens em metrô. Ontem, foi o candidato a governador, Fernando Gabeira, que anunciou igual compromisso.

Para os que temos defendido esse projeto como uma das mais importantes prioridades metropolitanas, as notícias são alvissareiras. Será com a politização do tema que ele terá chance de ir para a agenda pública e se tornar realidade.


Vale a pena lembrar o que significa transformar os trens em metrô:

primeiro, a oferta de um sistema de transporte público de qualidade compatível com os nossos tempos para todos os subúrbios cariocas e para parte importante da Baixada Fluminense, alcançando cerca de 70% da população;

segundo, implica em estimular a requalificação ambiental e urbanística dos bairros atendidos, sobretudo pelo reforço das centralidades que se encontram relacionadas às estações, origens desses bairros;

terceiro, e talvez o mais importante, dará condições de reversão no quadro de decadência desses bairros e, no médio prazo, sinalizará a possibilidade de que os moradores que vierem a progredir possam permanecer aí, em um novo ciclo virtuoso de desenvolvimento.


A metropolização dos trens, obviamente não é apenas fazer com os trens sejam seguros, adequados, confiáveis, e que circulem em intervalos reduzidos (talvez a cada 3 ou 4 minutos). É também tornar viáveis as estações: com acessos adequados, escadas rolantes, coberturas em todas as plataformas. Isto é: passarem a ser lugares de hoje.

Vejam a foto da única estação em que as três linhas se encontram, a estação de São Cristóvão, centro do Rio: escadas fixas, descobertas, que obrigam os usuários a subirem e descerem altura equivalente a 3 andares; plataformas igualmente descobertas, seja para o sol seja para chuva; entre outras “facilidades” constrangedoras. Chega a ser um deboche para com a população carioca.

Agora, vamos torcer para que a candidatas Dilma Roussef e Marina Silva, bem como o governador Sérgio Cabral, candidato à reeleição, também assumam o compromisso de transformar plenamente os trens em metrô.


Com a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016, essa transformação em todo o sistema será, talvez, o mais importante legado possível que estes grandes eventos poderão deixar à cidade.


Veja também:

O Globo - No Rio, Serra promete metrô de superfície

Cidade Inteira - Encruzilhada

terça-feira, 6 de julho de 2010

Acendam as luzes!

Lucas Franco
A história sobre a votação do novo Plano Diretor para o Rio de Janeiro começou meio estranha, obscura, atravessada. Com emendas polêmicas de autores desconhecidos.
Mas aos poucos as luzes começam a se acender e parece que as coisas vão se esclarecendo. E isto é fundamental quanto tratamos de questões que ultrapassam gestões, partidos e interesses, por mais bem intencionados que esses possam ser.



Assista aqui ao vídeo do RJ no G1: "Votação do Plano Diretor é adiada"

Enfim, que venham as propostas, o debate, o plano. E só assim, um desenvolvimento sustentável e o melhor para a nossa cidade.



Notas relacionadas:
Cade o autor?

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Civilidade

Sérgio Magalhães
Foi tristíssimo perder a partida.
Mas é preciso registrar uma belíssima atitude da equipe holandesa: a justaposição das bandeirinhas da Holanda e do Brasil no peito da camisa de sua seleção.
É mais uma demonstração do espírito aberto que caracteriza o seu povo.
A Holanda é toda urbana. É só cidade.
Talvez esteja nessa experiência de convívio, historicamente consagrada nos Países Baixos de saber conviver com o diferente, o que embase essa pequena-grande demonstração de civilidade.

"A contemporary City, Plan Voisin, Le Corbusier, 1922, 1925"

André Luiz Pinto

No Curso "Arquitectura e Cinema", promovido pela Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, o Professor Dietrich Neumann da Brown University nos brindou com estas belas imagens de um vídeo bastante raro onde vemos Le Corbusier, lançando mão do cinema para apresentar suas ideias, apresentando o famoso Plano Voisin que fazia tabula rasa de uma significativa parte do centro de Paris.

sábado, 26 de junho de 2010

Para o Rio, o futuro é hoje

*Artigo publicado originalmente no O Globo de 26/06/2010.

Sérgio Magalhães
Enquanto a inflação esteve sem controle, propostas de interesse público não tinham condições de debate, obscurecidas pela premência do quotidiano indomável. Foi preciso superar a inflação para que um conjunto de possibilidades se apresentasse ao desenvolvimento. E hoje, há quase duas décadas de estabilidade, já se diz que o “futuro chegou”. O país do futuro é o Brasil de hoje.
Similarmente a explosão demográfica que inchou as cidades fez, para o planejamento urbano, o papel que a inflação fazia para o planejamento econômico: anulava qualquer racionalidade. Mas as nossas principais cidades já não têm aumento acelerado de população. No caso do Rio, desde os anos oitenta é a cidade metropolitana que menos cresce no Brasil.
Temos estabilidade demográfica.
Nesse sentido, diria que, para a cidade, o futuro já chegou.
Não obstante, continuamos a tratar o Rio como se tudo tivesse que ser refeito. Vivemos uma certa inércia epistemológica que justificaria expandir o tecido urbano à espera das multidões que jamais virão.
Ora, o baixo crescimento demográfico é fator muito positivo para compor o quadro de planejamento que desenhe as próximas décadas de nossas cidades. Em contraponto, também os recursos públicos terão estabilidade. Não serão infinitos.
Assim, dois temas essenciais e complementares se impõem: o cuidado com a cidade existente e o projeto da cidade sustentável.
É com a cidade com que chegamos até aqui que teremos que construir o lugar das próximas gerações. E, para elas, nosso compromisso há de ser uma cidade igual ou melhor do que a herdada.
Nas principais cidades mundiais, o cuidado com o espaço existente tem correspondido aos esforços mais importantes.
A prioridade não é abrir áreas novas, mas preservar as existentes.
Se andamos pelo Leblon e constatamos má conservação do projeto Rio-Cidade, um dos mais bonitos, já não cabe imaginar que faremos um novo. Também em Campo Grande, Catete, Taquara e demais áreas. Há que se recuperar o construído, dar-lhe a qualidade original. Nosso Centro precisa ser o melhor lugar da metrópole. Bem tratado, limpo, com vitalidade sempre renovada. Manter a cidade funcionando tem alto custo e exige continuidade. Sobretudo, precisa contar com a colaboração cidadã, na preservação dos equipamentos e do espaço público. (Por que não dividirmos tarefas: aos proprietários, a conservação das calçadas; à prefeitura, um asfalto com qualidade?)
Com a estabilidade demográfica, podemos prever as demandas da cidade em busca da sua sustentabilidade. Prever? Bem, nisso há uma certa dose de otimismo, pois a questão não é apenas técnica, é sobretudo política. Está no debate político decidir quanto à ocupação urbana, quanto aos investimentos, quanto aos caminhos da cidade.
Precisamos pensar em contrair a cidade, ao invés de expandi-la. Vamos garantir uma cidade compatível com sua economia urbana ou o Rio vai manter a ocupação extensiva? Como promover o transporte público de qualidade e não poluidor? Como reforçar o Centro como núcleo metropolitano? E a Zona Norte suburbana? O que fazer com os vazios infraestruturados? Com as áreas ociosas que foram ocupadas por indústrias e hoje estão abandonadas? O que queremos quanto à despoluição da Baía de Guanabara?
O modelo convencional de planejamento priorizava definir índices, alturas, volumes e usos das edificações. Confiava que a cidade se moldaria assim. Como o futuro estava no infinito, podia fazer algum sentido. Hoje, aumentar gabaritos em grandes áreas e abrir novas ocupações apenas significa valorizar contabilmente ativos imobiliários. Para a cidade sustentável, o modelo não satisfaz.

Agora, interessa garantir a ambiência urbana com qualidade, o espaço público com vitalidade, bem conformado, os serviços plenos na cidade inteira. A urbanística torna-se mais complexa, é dinâmica, é proativa, acolhe as possibilidades que se apresentam à cidade e as torna em acordo com as diretivas pactuadas. Que, uma vez pactuadas, precisam ter estabilidade.
Assim, o debate político, absolutamente insubstituível, precisa se organizar por instrumentos institucionais, como o Plano Diretor, no qual a cidade é chamada a dizer como se deseja a médio prazo. Mas as decisões precisam ser amplas, transparentes, públicas, evitando desmoralizar o processo participativo, essência da democracia.
Sem inflação, com estabilidade democrática e econômica, sem inchaço demográfico, está em nossas mãos construir as regras urbanas que orientem o espaço carioca e ajudem a compor uma nova realidade institucional metropolitana! Uma cidade bonita, bem conservada e sustentável.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

É uma busseata?

Sérgio Magalhães
Por que protestam os ônibus? Eles já não tem tudo o que querem? Já não são os senhores absolutos do espaço público carioca? Já não fazem e desfazem o que querem nesta cidade?
Coitado de Alfred Agache, o urbanista francês que traçou o Plano Diretor para a cidade do Rio de Janeiro, em 1929, e que concebeu uma Avenida Presidente Antonio Carlos como um ambiente urbano muito bem configurado, em uma sucessão de espaços em gradiente de largura que, saindo da Beira-Mar, larga, chegava à Praça XV, estreita. Mas, sempre, bem constituída, bonita, funcional. Agache já é falecido. Foi poupado de assistir a esta cena.
Oferece-se um prêmio a quem esclarecer a causa dessa passeata de ônibus, o motivo dessa busseata.
E.mails para a redação.

terça-feira, 22 de junho de 2010

De pleno acordo.

Sérgio Magalhães
O editorial do jornal O Globo, de sábado, precisa ser destacado pela clareza dos argumentos. De fato, o Plano Diretor está tramitando na Câmara de Vereadores sem nenhuma transparência, praticamente sem legitimidade pela superposição de informações em conflito e pela descaracterização a que foi submetido o projeto original. Diga-se de passagem, aliás, que este projeto original (Substitutivo 3) tampouco significava algum avanço em relação ao PD de 92.
Precisamos de um 'freio de arrumação'.

Leia aqui o editorial do Globo: "Hora de traçar o futuro da cidade".

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A cidade ainda ali estava.

André Luiz Pinto
José Saramago morreu hoje, na sua casa de Lanzarote. Aos 87 anos, o escritor deixa uma obra vastíssima, pela qual venceu o Nobel da Literatura em 1998.


Entre suas obras destacam-se: História do Cerco de Lisboa (1989), O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991), Ensaio Sobre a Cegueira (1995), Ensaio sobre a Lucidez (2004), A Viagem do Elefante (2008) e, por último, Caim (2009).


Nascido em 1922, na Azinhaga, uma pequena aldeia no concelho da Golegã, Saramago cresceu em Lisboa, e sobre a cidade escreveu um belo artigo republicado no seu blog "Outros cadernos de Saramago". O motivo ele mesmo explica nas palavras abaixo:


Mexendo nuns quantos papéis que já perderam a frescura da novidade, encontrei um artigo sobre Lisboa escrito há uns quantos anos, e, não me envergonho de confessá-lo, emocionei-me. Talvez porque não se trate realmente de um artigo, mas de uma carta de amor, de amor a Lisboa. Decidi então partilhá-la com os meus leitores e amigos tornando-a outra vez pública, agora na página infinita de internet e com ela inaugurar o meu espaço pessoal neste blog.
Link do Artigo de Saramago "Palavras para uma cidade"


"Depois levantou a cabeça para o céu e viu-o todo branco, Chegou a minha vez, pensou. O medo súbito fê-la baixar os olhos. A cidade ainda ali estava."

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Eduardo Cotrim
Em 1816, Robert Owen divulgava o plano de sua Self-supporting Industrial Town, título que o nosso Aurélio provavelmente traduziria como Cidade Industrial Auto-sustentável. Certo que a auto-sustentabilidade há de ter precedentes a Owen. Parmênides, por exemplo, lá pelo século V AC sustentava que não havia a verdade, mas sim persuasões ou mentiras. Mas é certo também que essa pesquisa viraria tese...

165 anos depois da mais importante edificação de Owen, demolida por vários de seus sucessores, em 1981 a ONU encarrega a Primeira Ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland, para presidência de um grupo que produziu o Relatório Brundtland quando, como se sabe, o termo Sustentabilidade e Desenvolvimento Sustentável fora utilizado pela primeira vez. Abre-se um parêntese para o Clube de Roma de Peccei e King, em 1972 e suas preocupações com a insustentável redução dos recursos naturais e com o aumento da população no planeta. A insustentabilidade estava em moda. A Eco-92 e sua Agenda Século XXI foram o primeiro desdobramento do Relatório Brundtland e do Clube de Roma. Bom, mas aí já existia Parmênedis, contradito por Heráclito de Éfeso, mas também Owen e sua cidade auto-sustentável de 1816, demolida diversas vezes.

Outro pai da Sustentabilidade foi o economista Ignacy Sachs, quem, segundo O GLOBO de 18 de maio de 2010, teria sido “um dos primeiros teóricos na década de 70 (refere-se o artigo à década do ano de 1970 DC), a trabalhar com o conceito ecodesenvolvimento, que mais tarde (sic) foi substituído pela expressão desenvolvimento sustentável”. Certo também que aí já existiam Parmênides, Heráclito, Owen, Peccei e King, a Rainha da Noruega, a Eco-92 e talvez mais alguém que já pregasse a sustentabilidade antes do século V AC. Hoje a bióloga brasileira C. Magnanini não se sustentaria como uma das mães da sustentabilidade

Defende-se aqui que Owen, seus antecessores, o Clube de Roma, a Primeira Ministra da Noruega, a Agenda XXI do Rio, seus prováveis predecessores, Sachs e a bióloga brasileira - por que não? - pensavam como agiam as diferentes civilizações que construíam pirâmides em distintos cantos do planeta, da Índia à Babilônia, do Egito ao México, do Sudão ao país de Szanquim, em épocas distintas, muito distantes da globalização, portanto, sem que uma pirâmide soubesse das outras.

Mesmo depois da globalização ainda discutimos o longo e enfadonho processo histórico que gerou o fim da Escola Moderna. Fim esse que, segundo Charles Jenks, ocorreu em 15 de julho de 1971 às 15:32 hs, quando o conjunto habitacional Pruitt-Igoe foi implodido, face aos episódios de violência que reinavam naquelas paragens, em Saint-Louis. Muitos teóricos, inclusive não arquitetos, atribuem o problema a causas arquiteturais. Um projeto premiado pelo IAB de Massachustess em 1951, semelhante ao laureamento das Torres Gêmeas de Nova York, concebida pelo mesmo arquiteto de Pruitt-Igoe. Natural que poucos relacionem uma obra implodida à outra explodida, à podução de uma mesma pessoa, fato único no planeta.

Minoru Yamasaki e nossas observações de suas obras são bem anteriores à data em que se inicia a globalização, que tudo leva a crer, ocorreu na manhã do dia 26 de dezembro de 1991, em Moscou. Nesse dia, de manhã chuvosa e de hora imprecisa, mas antes do meio-dia, o Soviet Supremo foi dissolvido por ele mesmo. Gorbachev renunciou na véspera, mas a verdade é que poucos sabem disso porque a globalização só ocorreria no dia seguinte.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Cadê o autor?

Sérgio Magalhães
Ao tempo da ditadura militar, era comum a legislação mudar de chofre, para compor uma situação inesperada que o governo não conseguia contornar. Era tempo de “casuísmos”.
Com a redemocratização, pensávamos ir construindo um arcabouço legal que desse segurança jurídica à vida social. A derrota da inflação, a alternância de governo, o crescimento econômico, entre outros, foram instrumentos que nos fizeram ver a necessidade de regras que não mudem a torto e a direito.
A participação da sociedade tem como um de seus pilares justamente uma certa garantia de que as leis debatidas não são alteradas na primeira volta do rio.
Mas, infelizmente, não é o que tem ocorrido com nossa cidade.
Toda hora somos surpreendidos por medidas propostas para modificar as leis urbanísticas, sempre à procura de benesses inconfessáveis. Tão inconfessáveis que nem autoria explicita essas novas leis apresentam.
Agora mesmo, o projeto de Plano Diretor é brindado por adendos casuísticos que, se não houver uma grita, tem grande possibilidade de virar lei (e “Lei Complementar”, isto é, de quorum qualificado...)
Quem é o autor? Onde está?

Fundación Mítica de Buenos Aires, por Jorge Luis Borges

André Luiz Pinto
Há 24 anos morreu em Genebra o poeta Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo, ou apenas Jorge Luis Borges.
O viejo brujo teve sempre uma estreita ligação com a cidade, em especial a cidade em que nasceu em 1899, Buenos Aires.
Homenageando um dos maiores nomes da literatura mundial, o Cidade Inteira publica um de seus textos.





Fundación Mítica de Buenos Aires
¿Y fue por este río de sueñera y barroque las proas vinieron a fundarme la patria?Irían a los tumbos los barquitos pintados  entre los camalotes de la corriente zaina.
Pensando bien la cosa, supondremos que el río era azulejo entonces como oriundo del cielocon su estrellita roja para marcar el sitioen que ayunó Juan Díaz y los indios comieron.
Lo cierto es que mil hombres y otros mil arribaronpor un mar que tenía cinco lunas de anchuray aún estaba poblado de sirenas y endriagosy de piedras imanes que enloquecen a la brújula.
Prendieron unos ranchos trémulos en la costa,durmieron extrañados. Dicen que en el Riachuelo,pero son embelecos fraguados en el Boca.Fue una manzana entera y en mi barrio: en Palermo
Una manzana entera pero en mitá del campopresenciada de auroras y lluvias y sudestadas.La manzana pareja que persiste en mi barrio:Guatemala, Serrano, Paraguay, Gurruchaga.
Un almacén rosado como revés de naipebrilló y en la trastienda conversaron un truco;el almacén rosado floreció en un compadre,ya patrón de la esquina, ya resentido y duro.
El primer organito salvaba el horizontecon su achacoso porte, su habanera y su gringo.El corralón seguro ya opinaba: YRIGOYEN,algún piano mandaba tangos de Saborido.
Una cigarrería sahumó como una rosael desierto. La tarde se había ahondado en ayeres,los hombres compartieron una pasado ilusorio.Sólo faltó una cosa: la vereda de enfrente.
A mi se me hace cuento que empezó Buenos Aires:La juzgo tan eterna como el agua y el aire.
Jorge Luis Borges, 1929.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Architecture of Dance

André Luiz Pinto
Em Janeiro foi publicado no jornal O Globo e o site G1 a notícia de que o Arquiteto Santiago Calatrava seria o responsável pelo projeto do Museu do Amanhã no Pier Mauá, um marco para a revitalização da Zona Portuária Carioca.


O Globo (Museu do Amanhã, no Pier Mauá, será marco da Rio +20)
G1 (Museu do Amanhã deverá ser construído no Pier Mauá)


Está disponível na internet um belo vídeo, produzido pelo New York City Ballet, que mostra a parceria feita com o arquiteto espanhol para a produção cenográfica da temporada de primavera do NYCB em 2010 chamada Architecture of Dance. Parece ser um ótimo programa para quem tiver a oportunidade de visitar NY ainda este mês.

Veja o vídeo neste link.
artigo no New York Post

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Carta Aberta ao Comitê Olímpico Internacional

Diferente de muitos outros países que já sediaram Jogos Olímpicos, o Brasil é marcado por profundas desigualdades sociais e precariedade de serviços públicos como transporte, saúde, educação, saneamento e coleta de lixo.
As recentes chuvas no Estado do Rio de Janeiro mostraram como esses problemas se colocam no cotidiano da população, em que muitos perderam suas casas e mais de 200 pessoas morreram por ausência de serviços de encostas, drenagem e sobretudo de habitações populares dignas. Infelizmente, a postura dos nossos governantes é de omissão e de colocar esses problemas debaixo do tapete. Com as chuvas correram para culpar os pobres, pois estão mais preocupados em preservar a imagem da cidade e suas próprias.
É nesse contexto que vamos receber os Jogos Olímpicos de 2016. Contexto de promessas vazias dos governantes; de desigualdade e criminalização dos pobres que não aparece nos vídeos, imagens da candidatura e visitas guiadas para esconder o cotidiano da maioria da população! Contexto que nos deve fazer refletir juntos sobre quais prioridades devem ser atendidas no projeto olímpico para uma cidade como o Rio de Janeiro.
Temos conhecimento e experiências acumuladas para colocar essas questões. Sediamos os Jogos Pan-americanos de 2007 e não esquecemos que o legado urbano foi frustrado, de dívidas públicas e repressão. Temos a esperança que as Olimpíadas de 2016  sejam diferente e não mais um grave motivo de problemas e tragédias para o povo.
Por isso cobramos dos membros do Comitê Olímpico Internacional (COI) que nada decidam sem ouvir o conjunto da sociedade. Também temos muito a falar. Governos e investidores já falaram. Agora é a hora do COI ouvir as demandas dos trabalhadores e dos pobres, que até o momento estão excluídos das decisões desse projeto.
Neste sentido, exigimos:
(...)
-  que as competições não desrespeitem as leis nacionais e internacionais de direito à moradia e que não promovam remoções forçadas de comunidades como se está planejando para a  “Comunidade Vila Autódromo”, na Barra da Tijuca. Se os Jogos Olímpicos são uma competição dos povos têm, ao contrário, a obrigação de reverter seus investimentos para uma maior inclusão social dessa e todas comunidades
-  que o possível deslocamento de instalações olímpicas para a Zona Portuária da cidade esteja integralmente compromissado, com a construção de moradias e a diminuição da desigualdade sociais  e não com a especulação imobiliária e a expulsão da população
- que os investimentos em transportes se traduzam em diminuição das tarifas, atualmente as maiores da América Latina e no fim da precarização, superlotação e  violência  vivenciadas diariamente nos trens, metros e ônibus da cidade
- que todas as instalações esportivas a serem reformadas e construídas tenham de antemão estudos de viabilidade de público e decisões concretas sobre seu destino posterior, a fim de evitar a construção de “elefantes brancos”, como o “Ninho do Pássaro” de Pequim 2008; os estádios de Atenas 2004, que contribuíram para a crise da dívida pública do país europeu  e as instalações abandonadas  do PAN-2007
- que a Autoridade Pública Olímpica a ser constituída contemple e dê  poder de decisão as comunidades do entorno das instalações esportivas, as organizações da sociedade civil  e os movimentos sociais urbanos da cidade do Rio de Janeiro  e não somente a empresários e o governo
 - que o orçamento das Olimpíadas seja participativo e transparente a fim de evitar  superfaturamento, mal planejamento e  irregularidades cometidos com o dinheiro público, como os diversos constatados nos Jogos Pan 2007 pelo Tribunal de Contas da União
Temos a expectativa  que esse princípios e demandas, assim como outros levantados de forma coletiva pela sociedade do Rio de Janeiro no dialogo com o COI e os poderes públicos, façam parte das diretrizes de realização das Olimpíadas 2016. Da mesma forma, que o COI enquanto co-responsável pelo projeto e intervenções olímpicas na cidade zele com o poder público , os órgãos de fiscalização do Estado,o Ministério Público e a sociedade pelo absoluto respeito as leis municipais, estaduais, nacionais e internacionais.

Leia a carta na íntegra