quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Ano novo


O ano termina com uma série de acontecimentos que nos enche de esperança, pelas possibilidades de mudanças. Inevitavelmente, porém, necessitamos que no ano de 2010 os responsáveis pelas ações confirmem as nossas expectativas.
O Instituto de Arquitetos do Brasil, departamento do Rio de Janeiro (IAB-RJ), empossou há duas semanas a sua nova diretoria para o biênio 2010-2011. Na ocasião, as propostas de trabalho apresentadas vinham ao encontro dessas iniciativas.
Veja aqui todos os painéis com as propostas da nova diretoria, arquitetura: cidade e metrópole.
Contagiado pelo espírito comum a esta época do ano, tenho expectativas de boas mudanças e acredito que o IAB estará empenhado em discutir a nossa arquitetura, cidade e metrópole e trabalhar pelas melhores soluções.
***
Aos leitores, equipe e colaboradores: obrigado por tudo e um ótimo ano para todos.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Consciência ambiental

Lucas Franco
Estudos apresentados na recente conferência da ONU sobre mudanças climáticas (COP15) apontam que a pecuária responde por metade das emissões brasileiras de gases responsáveis pelo efeito estufa. As principais fontes de emissão de CO2 identificadas foram o desmatamento para formação de pastagem, as queimadas e a fermentação entérica do gado.
Especialistas especulam que uma produção ambientalmente mais correta poderia até duplicar o preço final dos produtos.
No último domingo, em artigo publicado no jornal O GLOBO, o deputado federal e ex-ministro da fazenda Antônio Palocci discorreu sobre o brilhante desenvolvimento do setor, o que chamou de “O salto triplo da Indústria da Carne”. Entretanto, preferiu não mencionar os desafios a serem enfrentados na imprescindível adequação a uma realidade econômica e ambientalmente sustentável.
No O GLOBO de hoje, o consultor da ONU para a Copa de 2014, Pedro Trengrouse, nos chama a atenção para o impacto ambiental do maior evento de futebol do planeta, pleiteando uma “estratégia de manejo ambiental integrada desde já aos processos de preparação.” Em seu artigo, Trengrouse apresenta números e divulga algumas das experiências da última Copa na Alemanha e da próxima, na África do Sul.
Historicamente e especialmente com relação às questões ambientais, inúmeras vezes pecamos por ignorância. Mas agora é diferente, considerar os estudos, mesmo passíveis de contestações, todos os custos conhecidos que envolvem os processos de produção e construir novas ordens de desenvolvimento não é questão de marketing, “selos verdes” ou sensibilidade.
A consciência adquirida é irrefutável, algo que será reconhecido mesmo se fecharmos os olhos.


Leia aqui o artigo de Palocci: “O salto triplo da Indústria da Carne
Leia aqui o artigo de Trengrouse: "O legado da Copa e o ambiente"

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Razão Social: Entrevista

Lucas Franco
Na última terça-feira, o suplemento Razão Social do jornal O GLOBO publicou uma entrevista com o arquiteto e urbanista Sérgio Magalhães. Em pauta, como tornar o Rio uma cidade sustentável e com maior interação social.




Veja aqui a entrevista de SFM, feita pelo jornalista Emanuel Alencar.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

As cidades e o PIB

Sérgio Magalhães

O IBGE divulgou recentemente sua avaliação sobre o crescimento econômico dos estados brasileiros no período 1995-2007.

A média nacional de crescimento foi de 39,8% no período.

Já o estado do Rio de Janeiro cresceu 25,6%, constituindo-se no estado que teve o menor crescimento entre as 27 unidades federativas. Isto, apesar da participação crescente do petróleo nas contas estaduais, muito acima do crescimento médio nacional.

Não observei muitos comentários a respeito desse relatório.

Não li entrevistas dos economistas que justamente ao longo desse período nos diziam como eram promissoras as contas do estado. Lembre-se que o período perpassa tres governos, todos sempre muito satisfeitos com os grandes investimentos que o estado conseguia captar.

De fato, foram muitos os grandes investimentos, a começar pelo setor petrolífero.

Então, por que o RJ ficou na lanterna entre todos os estados?

Justamente o RJ, que é o estado mais urbano do país. Que tem 94% de sua população vivendo nas cidades.

Proponho que a questão urbana possa ser um dos fatores relevantes a ser investigado. Questão urbana: dificuldades que apresentam nossas cidades para o pleno desempenho da vida social, econômica e política. Dificuldades na mobilidade, na infra-estrutura, na ambiência, na segurança.

Tais dificuldades minam o esforço produtivo dos pequenos empreendedores, não deixam que aflorem para a prosperidade os negócios que começam diminutos e que poderiam alcançar novas escalas.

Os grandes investimentos são importantes, é claro. Mas está nos pequenos, que crescem, uma possibilidade da distribuição do desenvolvimento por todo o tecido social. Sem pequenos, não teremos médios. Não teremos economia pujante.

Veja aqui a apresentação dos dados do IBGE.

Uma pista

Sérgio Magalhães
Os estados mais urbanos do país também cresceram abaixo da média: São Paulo, RJ e Rio Grande do Sul. Todos eles ficaram muito aquém do conjunto nacional: SP=32%; RS=30%; RJ=25,6%.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A consagração da Natureza

Lucas Franco
Desde a vitória em Copenhague, muito tem se falado, inclusive neste blog, sobre políticas de investimento, legado urbano e o valor da oportunidade da realização dos Jogos Olímpicos. Assim, tornaram-se recorrentes as discussões sobre a questão dos transportes públicos, a arquitetura dos equipamentos, as densidades populacionais e o planejamento urbano. Entretanto, uma questão fundamental ainda parece passar ao largo: a questão ambiental.
O insight, apesar de aparentemente óbvio, não surgiu por conta própria. Na semana passada, recebi um texto da geógrafa Tereza Coni, intitulado “Consagração da Natureza, sustentabilidade e problemas socioambientais: o Rio e as olimpíadas”. Nele, Tereza nos chama a atenção para a singularidade e exuberância da Natureza Carioca, destacando a sua relevância na escolha como cidade-sede, a sintonia do tema com o ambiente olímpico e afinal, aponta para a oportunidade de se construir uma nova relação Homem-Natureza.
Leia aqui, o texto de Tereza Coni: “Consagração da Natureza, sustentabilidade e problemas socioambientais: o Rio e as olimpíadas”.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Presidente do COB declara que apoia mudanças em prol da Zona Portuária

André Luiz Pinto

conexão europa


O Presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), o belga Jacques Rogge, recebeu, hoje pela manhã, o grau de Doutor Honoris Causa pela Universidade do Porto (Portugal).

O cidade inteira esteve presente e entregou, em mãos, um dossiê contendo grande parte das informações que temos discutido aqui no blog sob o título: "2016, Great chance for the entire city".


O evento teve a presença do Presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) Carlos Arthur Nuzman que declarou que é a favor das mudanças que podem criar a sinergia entre o Projeto Olímpico e a recuperação da área central da cidade, em especial a Zona Portuária assim como fez Barcelona.


"Este é um objetivo que o Prefeito Eduardo Paes têm, que nós estamos comungando, estamos de acordo, acho que será genial para o Rio de Janeiro. Nós estamos muito felizes com essa ideia, e certamente, com a implementação dessas mudanças."


Abaixo o depoimento do presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman:


video

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A vida com outras cores

Lucas Franco
No último final de semana, o jornal Valor publicou uma reportagem de Carla Rodrigues e Felipe Wircker, demonstrando os impactos em algumas comunidades cariocas agraciadas com projetos de urbanização, através do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC.

A matéria destaca o valor da experiência adquirida com o programa Favela-Bairro, chamando atenção tanto para as semelhanças entre os programas, quanto para as dificuldades encontradas, como a conseqüente expansão das áreas recém-urbanizadas.

Ao final, entre dados técnicos, opiniões de especialistas, depoimentos de moradores e belas fotos, chegamos ao menos a um consenso: nesse cenário, toda urbanização é bem-vinda.

Leia a matéria do Valor: A vida com outras cores

sábado, 21 de novembro de 2009

No Porto o renascimento

Sérgio Magalhães

O presidente do Clube de Engenharia, Francis Bogossian, assina artigo intitulado Porto Maravilha: investidor quer garantias, publicado pelo Jornal do Commercio, dia 18. Bogossian chama a atenção para a oportunidade que o aproveitamento da Zona Portuária representa para a cidade e conclui com a chave da questão:

A revitalização da Zona Portuária é emblemática porque trará, necessariamente, não apenas a revitalização do Centro do Rio, como de toda a cidade. (…) Os empreendimentos imobiliários, nas últimas décadas, se concentraram na Barra da Tijuca, exigindo vultosos investimentos da Prefeitura do Rio em infraestrutura para atender à demanda. Depois de 40 anos, o Rio espera ver, finalmente, concretizado o seu renascimento.

Francis Bogossian foi recentemente empossado na Presidência do tradicional e influente Clube de Engenharia. Por certo, é uma força política importante com que o Rio poderá contar para que os investimentos públicos sejam dirigidos prioritariamente para o conjunto da população –que o Centro simboliza, ao invés de canalizados para onde o mercado imobiliário de alta renda deseja.

Leia na íntegra o artigo de Francis Bogossian: Porto Maravilha: investidor quer garantias.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Barcelona - Rio

Sérgio Magalhães
O jornal espanhol El País, um dos mais influentes do mundo, publicou hoje artigo assinado por Josep Maria Montaner sobre a Olimpíada no Rio. Montaner é professor catedrático da Universidade da Catalunha, doutor em arquitetura, e um dos mais renomados críticos europeus. Tem inúmeros livros que constam das melhores bibliografias arquitetônicas e urbanísticas contemporâneas.

Veja na íntegra o artigo do professor Montaner:

Lunes, 16/11/2009
JosepMariaMontaner
Barcelona-Río de Janeiro

Estas dos ciudades costeras, unidas por más de dos décadas de intercambios de ideas urbanas, están ahora aún más relacionadas al compartir el ser sede de los Juegos Olímpicos. Pero tras la simpatía que despierta Río, con su paisaje costero singular, de morros en la tierra y en el mar, lo que está ya pactado como urbanismo y arquitectura para los juegos es muy inquietante. La ciudad que había sido referente en los años noventa por sus programas complementarios, Río Cidade, dedicado a la mejora de la calidad del espacio público, y Favela Bairro, modélico por su manera de intervenir, llevando la ciudad a los barrios autoconstruidos, ha apostado para los juegos por un urbanismo totalmente neoliberal, algo que contradice la visión quco encabezado por Lula.
En vez de aprovechar para mejorar la estructura de lo existente, fortaleciendo el centro y remodelando el antiguo gran puerto, es decir, en vez de potenciar la ciudad que se publicitó durante la campaña previa a la elección, la villa olímpica, la villa de los periodistas y los hoteles se van a levantar en Barra de Tijuca. Intervenir en esta área, tan frágil desde el punto de vista ecológico, con lagunas y pantanos, a unos 40 kilómetros del centro de Río, en la que vive una minoría acomodada de 180.000 personas, sólo es interpretable desde la más pura especulación inmobiliaria.
Para resolver los recurrentes colapsos, en una red que pivota sobre muy pocas avenidas, túneles y viaducto, se tendrá que implementar la infraestructura viaria y apostar por el transporte público. Tal como explicó en Barcelona el urbanista Sergio Magalhaes, mucho van a tener que luchar la ciudadanía y los políticos honestos para que el pacto de intereses entre el COI y los grandes propietarios y promotores de Río no culmine en una operación depredadora y monopolista, hoy ya pasteleada y proyectada.
De momento, la corriente crítica ya ha surgido en Río, defendiendo que los juegos sonuna oportunidad para que se beneficie toda la ciudad y no sólo cuatro poderosos.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Brasil em Copenhague e o PEU-Vargens


Sérgio Magalhães
Nosso país reduzirá de maneira expressiva a emissão de gases-estufa até 2020. É o compromisso que apresentará na conferência do clima, em dezembro, em Copenhague.
Isso é mais outra evidência de que o tema da sustentabilidade já se incorpora à política em todos os seus níveis.


Contudo, há uma expressão da sustentabilidade que não está sendo considerada: aquela relacionada à ocupação do território.
Nós já temos clareza que precisamos reduzir a dependência ao transporte que é consumidor de fontes energéticas não renováveis. Mas ainda passa despercebida a vinculação entre consumo exagerado/desperdício e o modo predatório de expansão urbana. Ainda não nos demos conta que esse modo resulta de decisões urbanísticas.


Agora mesmo, no Rio de Janeiro, estamos frente ao caso da aprovação de lei que permite ocupação de áreas ambientalmente frágeis da Barra da Tijuca, designada por PEU-Vargens (v. outras notas neste mesmo blog). Em outros países mais atentos à questão, como os europeus, o debate se dá, justamente, no sentido de frear a expansão urbana e oferecer todo o estímulo ao aumento da densidade das áreas consolidadas.


Veja a foto que anuncia a venda de apartamentos na região da Barra, publicada nos jornais, em página inteira, nestes últimos dias.Exclusividade, requinte, sofisticação e, o que é o melhor, pronto para você morar. Repare na ambiência do entorno.



Pode haver modo mais predatório de viver? Que cidade é capaz de manter infra-estrutura, transporte, serviços com qualidade, para todos, quando se permite tal expansão urbana?

Veto Total

Lucas Franco
No último dia 05, o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RJ), através da sua presidente, a arquiteta Dayse Góis, enviou uma carta ao prefeito Eduardo Paes repudiando o atual processo de aprovação do PEU-Vargens e recomendando o VETO TOTAL do Projeto de Lei Complementar.

Leia a carta de Dayse Góis / IAB-RJ

domingo, 15 de novembro de 2009

Degradação noticiada

Marat Troina
O processo de degradação em que se encontra a Zona Norte do Rio de janeiro desde os anos 80 é noticiado mais uma vez. Agora, com a série de reportagens da Rádio CBN: Zona Norte do Rio.

A reportagem conta com depoimentos dos urbanistas Flávio Ferreira e Carlos Fernando de Souza Leão Andrade, que apontam possibilidades para um melhor desenvolvimento da região.

Ao ouvir a reportagem reforça-se a certeza de que a concentração dos investimentos públicos na Baixada de Jacarepaguá, ratificada pela atual proposta do COB para os JO 2016, agravará o quadro de decadência da ZN e do Rio de Janeiro.

Ouça aqui a série de reportagens no site da CBN.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

PEU VARGENS, AINDA HÁ TEMPO.

Lucas Franco
A sorrateira aprovação das alterações no Projeto de Estruturação Urbana das “Vargens” (PEU-VARGENS), seja pela falta de debate democrático ou pelos perigosos impactos que causarão na estrutura da cidade, tem sido alvo de recorrentes críticas pela imprensa, ambientalistas, arquitetos, urbanistas e todos aqueles que assim se interessam pela cidade do Rio de Janeiro.

A fim de promover o debate e na luta pela interrupção do equivocado processo, o Cidade Inteira destaca o excelente artigo da arquiteta Andréa Albuquerque Redondo, ex-secretária de Urbanismo do Rio.


PEU VARGENS, AINDA HÁ TEMPO.
Andréa Albuquerque Garcia Redondo
 Com o sugestivo e corajoso título Sob Suspeita o Editorial do jornal O Globo do último dia 7 alerta para a aprovação – pelos vereadores do Rio e sem prévia discussão com a sociedade – de projeto de lei que mudará as regras urbanísticas dos bairros Vargem Grande, Vargem Pequena, Camorim, e parte de Jacarepaguá, Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes. A lei proposta é extensa e complexa: 113 artigos, vários anexos e mapas pretendem definir novos rumos para a ocupação da extensa região, equivalente a pelo menos 5 vezes o território de Copacabana, Ipanema e Leblon ou cerca de 10 vezes a área do Porto Maravilha.

Os profissionais familiarizados com a intrincada legislação urbanística do município terão dificuldades para compreender a aplicação da nova lei, embora seja notório que o texto contempla o grande adensamento da área com aumento expressivo de gabaritos de altura e metragem quadrada a construir e a conseqüente diminuição de áreas livres e permeáveis, na contramão das ações pelo desaquecimento global.

As mudanças nos bairros atingidos dependerão não apenas do poder público, mas, naturalmente, do desejo e da capacidade do mercado imobiliário que, ao eleger o lugar onde atuar torna concretos os volumes definido pelas normas e influencia até mesmo a mudança do perfil social dos moradores locais. Por isso acerta o Editorial ao questionar a ausência de um fórum de discussões com a participação dos diversos segmentos da população carioca.

Com a aprovação na Câmara Municipal do Projeto de Estruturação Urbana das “Vargens”, mais do que índices urbanísticos atrativos para os grandes empreendedores do setor imobiliário e o adensamento da região, o que está em jogo é o futuro da cidade. Abre-se mais terra para a iniciativa privada e amplia-se a demanda por recursos públicos. Afinal, a compra de mais gabaritos e áreas de construção que a lei oferta mediante pagamento em dinheiro, não é garantida, tampouco a aplicação desses recursos – se vierem – na região. Ao mesmo tempo o aceno se faz em detrimento de todos os outros bairros consolidados que precisam de investimentos, e pode até comprometer o projeto para a área do Porto, que também pretende atrair novos investidores.

Recentemente o Prefeito afirmou ser ele quem decide o que pode ser construído no município, uma figura de linguagem, é claro, pois o alcaide sabe que as autorizações dependem da lei em vigor. Curiosamente, neste caso, a figura é verdadeira: a decisão sobre o modelo urbanístico das Vargens está em suas mãos. A lei que produz o aumento exacerbado da malha urbana carioca poderia ser vetada e substituída conforme as reais necessidades da região. Há tempo, ainda, para evitar o que pode ser um grave equívoco e para que o Rio encontre seu melhor caminho sob as luzes de um debate público.

Notas relacionadas:

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Uma nota preta

 
Equipe Especial CI
A Vila Olímpica projetada para a Barra da Tijuca foi descrita oficialmente na proposta da candidatura do Rio como uma excepcional operação empresarial e financeira.

Você pode conferir a operação através do site oficial do COB, indicado mais abaixo.  Aqui, está um resumo feito por equipe especial do CidadeInteira:

  1. O dono do terreno e também construtor da Vila receberá recursos da Caixa a juros especiais. A operação financeira é assim descrita no site oficial (pg 204):
“O financiamento está totalmente garantido pela Caixa Econômica Federal (CEF), que garantiu todos os recursos necessários para o empreendedor, com taxas de juros preferenciais. O Governo Federal propôs esse modelo de financiamento com o objetivo de reduzir os riscos do projeto através de um pacote financeiro seguro.”

  1. O mesmo empresário tem a garantia que outros projetos de seu interesse receberão tratamento especial da Prefeitura. O site oficial diz:
Apesar disso, além do atraente pacote financeiro do Governo Federal, uma série de outros incentivos será oferecida ao empreendedor:

Entre esses incentivos:

Novas licenças de construção, dentro da legislação de zoneamento em vigor na cidade e de acordo com o EIA-Estudo de Impacto Ambiental.

Procuramos alguns especialistas em aprovação de projetos. Nenhum soube dizer o que isto significaria como incentivo. Se estas ‘novas licenças’ estão dentro da legislação de zoneamento e de acordo com o EIA, onde está o incentivo? Será que elas estarão fora dos índices de aproveitamento dos terrenos? Outros empreendimentos do mesmo empresário na Barra seriam autorizados? Ou seriam empreendimentos talvez nas Vargens? Com quantos andares?

  1. Outras garantias serão oferecidas ao empresário pelas ‘autoridades brasileiras’ (isto é, pelos dinheiros públicos):
A imediata construção de vias planejadas, serviços e recuperação ambiental do entorno.

Como nos terrenos da Vila Olímpica e em seus entornos não há infra-estrutura, ela será construída pelo governo. As vias planejadas serão construídas pelo governo. O tratamento ambiental da lagoa e dos cursos dágua da região serão responsabilidade do governo. Quando? Imediatamente.

Sabe-se, também, que aquela região tem o subsolo muito frágil, onde predomina a ‘turfa’. O governo será responsável pela consolidação geológica dos terrenos, de modo a garantir a implantação das infra-estruturas e vias planejadas? (Veja o caso do ‘escândalo Delfim’, junto ao Rio das Pedras, construído há mais de 25 anos, também em zona de turfa, e até hoje não consolidada: o terreno continua afundando, com ruas e infra-estruturas, idem.)

  1. O empresário, que é o dono do terreno e construtor, compromete-se a construir 34 edifícios de 15 pavimentos. (pg. 194). No Plano Lucio Costa não havia previsão para tal ocupação. Mas, nos últimos anos, uma sucessão de leis e decretos passou a admiti-la. Os edifícios somam cerca de 2.500 apartamentos. Estes, terão área média de aproximadamente 220m2 (edificação e serviços) e contarão com varanda + salas + 4 quartos ou varanda + salas + 3 quartos, além dos quartos de serviço. (Pg. 219)
  1. Os apartamentos serão vendidos e a Caixa Econômica Federal, no intuito de dar plenas garantias ao empreendedor, oferecerá:
Taxas de juros diferenciados para os compradores.
Essas e outras iniciativas foram utilizadas no desenvolvimento da Vila Pan-americana, garantindo benefícios para o empreendedor, além de uma campanha de vendas de muito sucesso.

  1. Finalmente, sabemos que os apartamentos assim construídos e financiados serão alugados, por ocasião dos Jogos, a preço já estabelecido:
O custo acordado de locação obedecerá a um teto de US$ 18,9 milhões.

Enfim, são essas informações expedidas pelo COB com o sentido de nos tranquilizar a todos, mas sobretudo ao empresário, quanto às condições em que a Vila Olímpica será construída.

Mas não podemos deixar de considerar que esses investimentos serão públicos. Ou seja, são também uma contribuição das famílias moradoras das áreas mais deprimidas da cidade, da Zona Norte, da Baixada, de São Gonçalo. Moradores dos loteamentos e das favelas. Todos, investindo na Vila Olímpica, que custará uma nota preta, mas que será construída, infra-estruturada, tratada e vendida com subsídios importantes para seus empresários, construtores e adquirentes dos apartamentos.

Para ter subsídio, é preferível onde a cidade possa melhor aproveitar. E onde moradores de renda menos elevada possam ser os candidatos. A Vila Olímpica localizada na Área Portuária poderia ser preferencialmente dedicada a apartamentos menores. E toda a cidade se beneficiaria com a ocupação residencial no Centro.

Veja o volume sobre a Vila Olímpica no site oficial da Rio 2016.


segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Discussão apaixonada

Lucas Franco
Nos últimos dias, uma discussão travada neste blog me fez lembrar um professor do ensino médio que sempre dizia: “com números não se discute.”

A estória começou em uma nota, saudando a possibilidade de mudanças na implantação dos equipamentos esportivos para os JO-2016, quando a arquiteta Ceça Guimaraens, corroborando a sua defesa pela manutenção “da indiscutível centralidade histórica da área de negócios e a rede cultural que o Centro do Rio de Janeiro detém”, destacou que a região da Baixada da Zona Oeste possuía apenas cerca de 200 mil moradores.

Imediatamente, um dos nossos leitores protestou, acusando-nos de uma manipulação leviana, cega e apaixonada. Disse que se considerássemos a área de influência da região, chegaríamos a números superiores a dois milhões de habitantes.

Em seguida, sob o mesmo argumento, o comentário foi respondido por outro leitor: “... se a idéia for analisar área de "influência" então a coisa piora! E faz menos sentido investir na Barra ou na Baixada de Jacarepaguá, como queira. Para o seu conhecimento o Centro do Rio de Janeiro é o centro da metrópole!!
Então temos algo em torno de 12 milhões de pessoas sob "influência" do Centro!”

Agora, nos chega o artigo-resposta do colega Eduardo Xavier, com algumas lições de urbanismo em um texto mais completo e esclarecedor, mas não menos apaixonado.

“... A questão da densidade implica em uma série de aspectos urbanísticos que devem ser levados em consideração. Os espaços e equipamentos urbanos de uso público como praças, áreas de lazer, rodovias, postes de iluminação, aparelhos telefônicos, lixeiras são utilizados conforme a demanda existente no local.

Se tivéssemos duas praças como exemplo, com exatamente a mesma dimensão e a única diferença é que uma está em Copacabana e a outra está em algum bairro da baixada de Jacarepaguá. Podemos afirmar que a mesma praça que atende 3 pessoas na baixada de Jacarepaguá atenderia 30 pessoas em Copacabana...

...Se você tivesse uma equipe que pudesse fazer a manutenção de somente uma das praças de quatro em quatro anos, qual das duas você escolheria?”

No fim das contas, analisando todos os cálculos apresentados, só pude chegar a uma conclusão. E parece que o meu professor tinha razão.

Com números não se discute.


Leia aqui a nota de Ceça Guimaraens e os comentários dos leitores.
Leia o artigo-resposta de Eduardo Xavier.

domingo, 8 de novembro de 2009

Sob suspeita

André Luiz Pinto

Editorial do Globo de ontem põe em cheque o afogadilho com que foi aprovado o Projeto de Estruturação Urbana de Vargem Grande e Vargem Pequena, o PEU-VARGENS.

Como se sabe, Vargem Grande e Vargem Pequena são duas áreas vizinhas entre si e da projetada Vila Olímpica, na Barra da Tijuca. Pois a Cämara de Vereadores, em sessões onde não houve nenhum debate, aprovou a nova lei com velocidade digna de quem corre de uma assombração. A lei acelerará a ocupação do lugar e com índices construtivos várias vezes superiores ao inicialmente previsto para a região.

O projeto carece de autoria declarada. Ninguém assume a paternidade. O secretário de Urbanismo anunciou à imprensa que somente se pronunciaria depois que a lei fosse aprovada.

Mistério. Não fosse essa mais uma evidência robusta do interesse imobiliário especulativo que fundamenta a opção por concentrar os investimentos públicos olímpicos na Barra.

Editorial do Globo de ontem:
http://www.oglobodigital.com.br/flip/
Neste blog:
“legado olímpico”

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Copa 2014: welcome to Congo!

Lucas Franco
O título do artigo do arquiteto paisagista Eduardo Barra remete ao polêmico episódio dos Jogos Pan-Americanos de 2007, quando um jornalista americano escreveu a frase num quadro branco da sala de imprensa do seu Comitê Olímpico.
Com certo humor ácido e imagens esclarecedoras, Barra destaca alguns dos pontos fundamentais para que o episódio da gafe diplomática não se repita na “dobradinha Copa 2014-Olimpíadas 2016”:
“... Para a Copa de 2014, não desejamos mais estádios-OVNIs pousados em tecidos urbanos conflituosos, verdadeiros alienígenas alienados de questões elementares de planejamento urbano, ambiental, de transporte de massa e de compatibilidade com o entorno. A preocupação pode soar exagerada, mas ainda é preciso tocar no assunto, já que os estádios projetados para várias capitais brasileiras continuam sendo apresentados como objetos autistas, totalmente desvinculados da realidade envolvente. Não queremos mais hotéis e acomodações das delegações assentadas sobre áreas de proteção permanente dos cursos d’água. Pretendemos ter aeroportos operando de acordo com suas capacidades de segurança, com conforto para os usuários e voos pontuais. Contamos com estradas asfaltadas e sinalizadas, e cidades livres de esgoto a céu aberto, famílias sob viadutos e assaltantes desenvoltos, já que as questões sociais, de saneamento básico e de segurança pública estarão equacionadas ou, pelo menos, encaminhadas...”
Leia na íntegra o artigo de Eduardo Barra publicado no portal Vitruvius: Copa 2014: welcome to Congo!

Acácio Gil Borsoi: nota de falecimento


*Informe de Oliveira Junior
Morre em São Paulo o arquiteto e urbanista Acácio Gil Borsoi

Ele foi o responsável pela reformulação do curso de arquitetura da Escola de Belas Artes de Pernambuco; em 1964, foi preso pelo Governo Militar após assumir diretoria no governo Arraes.

Morreu, nesta quarta-feira (4), em São Paulo, o arquiteto urbanista e professor Acácio Gil Borsoi. Carioca, radicado em Pernambuco há 56 anos, ele foi casado com a também arquiteta e pernambucana Janete Costa, que faleceu em 2008.

Acácio Gil Borsoi nasceu no Rio de Janeiro, em 1924, e se envolveu com a arquitetura ainda muito cedo, observando o pai, o desenhista Antônio Borsoi, trabalhar no escritório de marcenaria. Em 1949, se formou arquiteto pela Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil. Nessa época, realizou as plantas de cálculo do engenheiro Joaquim Cardozo para o Teatro de Salvador.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Questão de Prova

Marat Troina
No último final de semana, em um simulado pré-vestibular, na prova específica de geografia constou a seguinte questão:

Vila da Mídia no Porto

Sérgio Magalhães
Deve ser saudada a anunciada intenção do prefeito Eduardo Paes de que parte da Vila da Mídia (VM) da Olimpíada de 2016 seja construída na Zona Portuária. Lembremos que toda a VM e mais a Vila Olímpica (VO) estão, em princípio, destinadas a serem erguidas na Barra da Tijuca, embora apenas 47% dos atletas tenham seus equipamentos de competição aí localizados.

A Olimpíada está exageradamente concentrando investimentos na Barra. Mas os recursos públicos não podem privilegiar negócios imobiliários de uma parte rica em detrimento das áreas mais necessitadas e populosas da cidade.

Trazer a Vila da Mídia para o Porto pode ser o primeiro passo na reversão do quadro.

Veja a matéria do jornal O GLOBO - Jogos: Paes insiste em mudar centro de mídia

domingo, 1 de novembro de 2009

Deu no O GLOBO e no JB

Ceça Guimaraens
Prefeito diz que centros de mídia podem ficar na Zona Portuária e em outras partes da cidade, criando a primeira divergência com o COI

A gente pode até achar que o Paes está jogando para a geral, mas que deu no jornal, deu!

A gente pode até pensar que há quase três décadas a prefeitura, o pessoal do patrimônio histórico e as corporações empresariais batalham para a recuperação do porto do Rio com projetos ambiciosos, procurando evitar o arruinamento de bairros onde se mesclam armazéns, galpões e construções modestas. E nada parece dar certo!

Regredida a atividade de comércio e movimentação de cargas, essas paredes foram depreciadas por traduzirem nas fachadas, adornadas de metáforas imagéticas, as arquiteturas híbridas e mal-amadas do estilo eclético. Quanto à situação urbana, à maneira de outros bairros da Zona Norte, a Zona Portuária foi dividida por viaduto que, hoje, garante a mobilidade e o deslocamento de trabalhadores para as cidades vizinhas que, assim, sustentam a condição metropolitana da cidade.

Concepções puristas veem esse modo funcionalmente moderno de resolver a circulação de veículos e pedestres como ação espúria gerada na inversão dos valores urbanísticos.

O projeto que foi apresentado pela cidade para o comitê organizador dos Jogos Olímpicos de 2016 prevê a construção de infraestruturas (vias e Vila Residencial) e a reurbanização da Zona Portuária estaria aí incluída.

O anúncio de alterações e mudanças de algumas dessas “facilidades” da baixada da Barra da Tijuca e Jacarepaguá para as vizinhanças do Centro do Rio foi recebido com alegria e esperança por todos os moradores e usuários da cidade.

Afinal, a região da Baixada da Zona Oeste possui apenas cerca de 200 mil moradores!

Depois que mataram o palácio Monroe na Cinelândia e o Guggenheim no píer Mauá, a Cidade da Música aterrissou e aterrorizou o centro do Centro previsto no plano de Lucio Costa para a baixada da Barra da Tijuca e Jacarepaguá. Agora, a âncora da revitalização da Zona Portuária, segundo os vereadores Aspásia Camargo e Eliomar Coelho, é a nova sede da Câmara dos Vereadores.

‘Fala sério’!!!!!

A centralidade histórica da área de negócios e a rede cultural que o Centro do Rio de Janeiro detêm são indiscutíveis.

Vamos mudar, ‘com certeza’, pois a cidade não aguenta mais tanto terrorismo urbanístico!

Leia as reportagens:
O GLOBO: COI e prefeitura têm primeira divergência
JB: Paes quer centro de mídia na Zona Portuária

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Legado Olímpico


Sérgio Magalhães
Se a Olimpíada continuar misteriosa quanto às decisões fundamentais para a cidade (-por que concentrar os investimentos na Barra? -onde ficarão os benefícios para a cidade? -etc.), veremos cada vez mais propostas inusitadas como esta publicada pelo Globo. À margem da lei urbanística, até a CBF quer uma benesse para a construção de sua sede...

Leia as reportagens do GLOBO:
Olímpíadas mudam tudo em Vargem Grande
Regras só explicadas após aprovadas

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Debate público sobre a revitalização portuária

Lucas Franco
O Centro de Estudos Direito e Sociedade (CEDES), associado ao Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ), em seu boletim virtual de outubro, apresentou um interessante relato sobre o debate público sobre a revitalização portuária.
A nota ainda conta com dois artigos complementares, da socióloga Maria Alice Rezende de Carvalho e da arquiteta Ana Luiza Nobre.

Leia o boletim do CEDES.
Leia o artigo de Maria Alice: A chance do Rio.
Leia o artigo de Ana Luiza: Mar fechado.
Leia o relato do debate.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Sim, nós podemos!

Lucas Franco
O presidente do COB, Carlos Nuzman, em entrevista à televisão, disse que o melhor argumento para a realização dos jogos no Rio de Janeiro surgiu a partir de um mapa-mundi, localizando as cidades sedes dos Jogos Olímpicos da era moderna. O mapa apresentava uma enorme concentração de eventos no hemisfério norte contra pouquíssimas realizações no hemisfério sul.

O argumento não é novo, em sua tese de doutorado de 2006, o arquiteto e urbanista James Miyamoto já havia traçado o que chamou de “Equador Olímpico”. Um pouco diferente do original, o hemisfério norte olímpico exclui todo o continente africano, o oriente médio e o sudoeste asiático, em contrapartida, inclui a Austrália, país com cidades-sedes dos jogos em duas oportunidades.


Quando Miyamoto, Nuzman e tantos outros apresentaram esse argumento, chamavam atenção para um desequilíbrio, uma desigualdade e ao mesmo tempo, para algo que poderia ser diferente, isto é, corrigido. Também é claro que o apelo era o da oportunidade de vivenciar o espírito dos Jogos em sua plenitude, o chamado “espírito olímpico”, o desenvolvimento social, econômico, urbanístico como legado dos JO.

Mas isso era o só o começo, pois o COI, ao escolher a cidade do Rio de Janeiro em detrimento a Madrid, Chicago e Tóquio, foi mais além. Para nossa alegria, em Copenhague ficou decidido: desta vez, será diferente.

Estamos vivendo um momento de excepcional otimismo, desde a eleição de Barack Obama, seguindo com a recuperação das economias mundiais após um período de grave crise. Nós cariocas, em particular, contamos ainda com o alinhamento dos três níveis de governo, a recente conquista de grandes oportunidades e o desenho de novas perspectivas de desenvolvimento. Nesse âmbito, chega a causar estranheza as temerosas e conformistas recentes declarações do ex-prefeito César Maia e do secretário municipal de desenvolvimento Felipe Góes. O discurso de que "não pode", "não dá", ou "não acontecerá", destoa e não cola. O martelo foi batido, mas em outro sentido, e até onde eu sei, inevitavelmente, marteladas devem ter a mesma direção.

Mas eu não quero terminar esta nota com críticas, pois como disse anteriormente, o momento é de união e otimismo. Assim, vivenciando o melhor do “espírito olímpico”, prefiro terminar fazendo um convite aos descrentes e temerosos:

Meus caros, juntem-se a nós! Não tenham medo, acreditem. Vamos construir uma cidade inteira, corrigir injustiças e recuperar o degradado. Vamos aproveitar as oportunidades da melhor maneira possível.
Sem essa de “não pode”, nós podemos, sim. Ou ainda melhor:
Sim, nós podemos!

Leia as notas relacionadas:
A Vila Olímpica pode ir para o porto?
Felizmente, as coisas mudam.

Gato por lebre

Lucas Franco
Os belíssimos vídeos oficiais de apresentação do Rio 2016, uns dos principais responsáveis pela nossa eleição, apresentam imagens dos bairros de Botafogo, Urca, Centro, Lapa, Lagoa, Copacabana, Jardim Botânico, Maracanã, Santa Teresa e até Boa Viagem, em Niterói. Entretanto, os mesmo organizadores pretendem concentrar mais de 50% das instalações para os Jogos Olímpicos na Barra da Tijuca, que não aparece em momento algum.
Ora, assim não estaríamos "vendendo gato por lebre"?



quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Sobre o debate na PUC

André Luiz Pinto
O debate realizado dia 19, na PUC, promovido pelos departamentos de Arquitetura e de Sociologia, tratou de dois temas fundamentais para a cidade: a recuperação da área portuária (projeto Porto Maravilha, lançado pela Prefeitura) e a Olimpíada 2016, seus investimentos e seus legados. A possibilidade de sinergia entre os dois temas esteve no foco do debate.

Com dois vereadores presentes, Aspásia Camargo, presidente da Comissão do Plano Diretor, e Eleomar Coelho, contou também com a participação, na mesa, de dois arquitetos, Nina Rabha e Sérgio Magalhães. Os professores organizadores foram Ana Luiza Nobre, que dirigiu os trabalhos, Maria Alice Rezende de Carvalho e Marcelo Burgos.

Mas, sobretudo, contou com uma platéia qualificadíssima, interessada e atenta, por mais de quatro horas de debate, que lotou o Auditório do CDC, onde se incluem, entre outros, inúmeros arquitetos, urbanistas e professores, como Ceça Guimaraens, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura da UFRJ, Otávio Leonídio, ex-diretor do curso de Arquitetura da PUC, Pedro da Luz, da UFRJ, e Luiz Fernando Janot, da FAU-UFRJ, ex-diretor do curso de Arquitetura da UGF e também ex-presidente do IAB-RJ.

A destacar, a presença de quatro ex-secretários de Urbanismo do Rio de Janeiro: os arquitetos-urbanistas Andréa Albuquerque Redondo, Augusto Ivan Freitas Pinheiro, Flávio Ferreira e Hélia Nacif Xavier.

A propósito, Andréa Albuquerque Redondo escreveu o comentário, no qual chama a atenção para a necessidade da ampliação do debate antes de decisões que venham a congelar prematuramente a questão.

Leia aqui o comentário de Andréa Redondo

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Na Barra está a minoria dos atletas

Sérgio Magalhães

O aproveitamento da Zona Portuária como estratégia para promover a sinergia entre a Olimpíada e o desenvolvimento da Cidade está ficando cada vez mais clara.

Conferidos os dados divulgados oficialmente, vemos que apenas 47% dos atletas serão servidos por equipamentos localizados na Barra. Isto é, a maioria deles utilizará equipamentos necessariamente localizados na Zona Sul-Centro-Zona Norte. Logo, a Vila Olímpica na Barra atenderá apenas muito parcialmente o interesse de proximidade. Ao contrário, significa distâncias médias muito maiores, para o conjunto olímpico, do que se a Vila estivesse localizada no Centro-Zona Portuária.
Ademais, das modalidades que estão previstas para a Barra, apenas umas poucas aproveitam equipamentos já construídos. A imensa maioria demandará novos equipamentos, que poderão ser construídos em outro lugar, como o Porto. Inclusive em galpões recuperados. São modalidades como judô, boxe, taekwondo, entre outras, que não exigem especificidades locacionais. Esses equipamentos envolvem 25% dos atletas. Com isso, sobram na Barra menos de ¼ dos atletas olímpicos, e mesmo assim se forem construídos os equipamentos previstos para o Autódromo –muitos deles, aliás, que também poderiam estar em outras áreas mais acessíveis.


Então, por que a Vila Olímpica e a Vila da Mídia precisam estar na Barra?

2016 e a expansão para Oeste

André Luiz Pinto
Semana passada o ex-prefeito César Maia, em seu ex-blog, falou na necessidade de expansão da cidade para Oeste no intuito de abrigar o déficit de quartos de Hotel para os JO de 2016.
O arquiteto e ex- Secretário Municipal de Urbanismo Flávio Ferreira escreveu um pequeno artigo sobre o tema. Nele afirma que é descabida esta proposta.
Veja análise de FF aqui.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

A Olimpíada cabe no Porto?

Sérgio Magalhães

Na informação oficial da Prefeitura, são disponíveis 1,1 milhão de m2 de terrenos livres no Porto. No debate promovido na PUC, ontem, foram apresentados dados coletados pelos arquitetos André Luiz Pinto e Eduardo Xavier que indicam que para sediar a Vila Olímpica + a Vila da Mídia + equipamentos referidos a modalidades que servirão a 25% dos atletas, bastam menos de 40% desses terrenos disponíveis.
Ou seja, a escolha da Barra somente se justificava quando não havia como aproveitar os terrenos ociosos e vazios da Zona Portuária. Agora, que a Prefeitura tem como prioridade o projeto Porto Maravilha e que as três instâncias de governo, federal, estadual e municipal, estão alinhadas, tudo muda.

O acordo assinado por Lula + Cabral + Paes representa 75% das propriedades da ZP.

É do governo as terras que poderão ser utilizadas para a Olimpíada!



A Vila Olímpica pode ir para o Porto?

André Luiz Pinto

Já se ouviu que tudo está acertado 'definitivamente' com o COI -e nada poderá mudar.
Será?
O ex-prefeito Cesar Maia, em seu ex-blog, defendeu a permanência na Barra por razões de segurança, em mais de uma oportunidade.

Hoje, reitera, em nota intitulada LOCALIZAÇÃO DAS VILAS DOS JJOO-2016! ACABOU A CONVERSA!.
Diz CM: "Este ex-blog repete, e pede, que não se discuta mais o deslocamento da Vilas e da centralidade dos JJOO-2016 da Barra para a Área Portuária. Os fatos relativos ao Morro dos Macacos são mais que suficientes.Na região portuária temos o Morro do Livramento, o Morro da Conceição e o Morro da Providência. E o cenário com as FFAA ocupando os morros ostensivamente seria o deleite das teleobjetivas da imprensa estrangeira..., e nacional".
Como o ex-prefeito é muito bem informado, este argumento parece dar razão aos que afirmam ser possível haver mudanças.

Como diz o povo: Não se bate em cachorro morto.

sábado, 17 de outubro de 2009

E segue o debate

Lucas Franco
Depois do debate de quinta-feira no IAB-RJ, que se prolongou até à meia-noite, com grande participação e interesse geral, o tema do aproveitamento da hoje ociosa e abandonada área portuária do Rio vai se firmando.
Com a conquista dos Jogos Olimpicos de 2016, a cidade começa a encarar a necessidade de debater os investimentos necessários, de modo a que o conjunto urbano seja beneficiado o mais amplamente possível, e não apenas alguns setores.
Agora é a vez da PUC entrar no debate.
Tendo como ilustração o Projeto de Revitalização do Porto, o Curso de Arquitetura e os Departamentos de Sociologia e Serviço Social da PUC promoverão um debate público dia 19/10, segunda-feira, às 15h, no auditório do RDC, na PUC, à rua Marquês de São Vicente, 225, Gávea.
Participarão da mesa um representante da Prefeitura, a vereadora Aspásia Camargo (presidente da Comissão do Plano Diretor) e o arquiteto Sérgio Magalhães, professor do PROURB e da FAU/UFRJ.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Debates

André Luiz Pinto
Amanhã no IAB-Rj está previsto um debate sobre o "Projeto de Revitalização da Zona Portuária do Rio de Janeiro - Porto Maravilha", às 19h na sede que fica na Rua do Pinheiro 10, Flamengo.
Estarão participando da mesa: Antonio Correia - Coordenador Geral de Preojetos Especiais - SMU; Flavio Ferreira - Arquiteto e Urbanista; Ricardo Villar - Arquiteto e Urbanista; Washington Fajardo - Arquiteto e Urbanista.

No dia 19, às 15h, haverá outro debate público sobre o Projeto de Revitalização do Porto, organizado em conjunto pelo Curso de Arquitetura, Departamentos de Sociologia e Serviço Social da PUC, no auditório do RDC, na PUC, Rua Marquês de São Vicente, 225, Gávea.
Contará com a presença da vereadora Aspásia Camargo (presidente da Comissão do Plano Diretor) e de um representante da Prefeitura.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Olimpíadas: o Brilho e a Ferrugem

Flávio Ferreira
O que está em jogo no momento, a localização dos equipamentos olímpicos, é a própria estrutura da cidade e do seu futuro. Este jogo é muito mais importante para a nossa cidade do que os jogos olímpicos em si. Para ganharmos o “ouro”, teremos que aprender com os sucessos e fracassos das cidades que já abrigaram Olimpíadas.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Valeria o preço!

Eduardo Cotrim
Caro Sérgio,

Por sua sugestão, como acréscimo de argumentos à idéia do Parque Olímpico na região portuária, mas não como contribuição ao debate técnico do tema segurança, entendo que as considerações de Cesar Maia devam ser friamente observadas, sem interferência de ruídos de quaisquer naturezas: o tema segurança, sobretudo para a sociedade carioca, é uma espécie de ferida e tem essa conotação. A argumentação do ex-prefeito, a favor da Barra, é técnica, calcada em suas experiências como Prefeito, que não foram quaisquer.

É certo que urbanistas e arquitetos pouco podem dizer sobre a melhor proposta para 2016, do ponto de vista da estratégia de segurança. Talvez praticamente nada, a não ser que sejam também especialistas no tema. No entanto, é razoável entender, estou de pleno acordo contigo, que a sociedade, nesse momento, possa debater e mais ainda, apresentar contribuições que não puderam ser analisadas no período de elaboração da proposta ao COI , já que nos defrontamos com uma oportunidade impar de restabelecer o Rio até onde os esforços puderem chegar. Sobretudo o Rio que o mundo todo conhece.

Por outro lado, não percebi nas argumentações do ex-prefeito qualquer palavra que transmitisse intenção de refutar ou minimizar o significado da revitalização da área portuária e Centro, a partir da realização dos Jogos. Cesar Maia é a favor da Barra por uma questão de segurança, e se sou bom entendedor, arrisco concluir de seus argumentos que é melhor perdermos um dedo (o Centro ou uma Olimpíada insegura) a um braço (o sucesso dos Jogos). No entanto, creio que só se esgotaria uma alternativa, se fosse esgotada definitivamente a outra, motivo pelo qual as discutimos agora.

A necessidade de se garantir a segurança nos Jogos é inquestionável, mas não se elaboraram ainda estudos maiores de um Parque Olímpico para a área do Porto. Que a zona portuária pode abrigar uma Vila Olímpica, sabemos que sim. Que muitos urbanistas e moradores da cidade entendem ser essa a melhor opção para a cidade, também. Mas os estudos não comportariam argumentos apoiados em fatos, como “assaltos na Francisco Bicalho por bandidos do morro da Providência” ou o “fechamento do túnel de acesso a São Conrado por traficantes da Rocinha”. Já ouvi bobagens como essas. Cabe aos urbanistas proporem projetos consistentes o mais breve, apresentá-los aos especialistas em segurança, entenderem suas recomendações e integrá-las ao plano, de modo sério e sem pré-disposições. O melhor legado dos jogos interessa à cidade, aos visitantes e certamente ao Comitê Olímpico Internacional.

Ainda que a implantação de um Parque Olímpico na zona portuária, para o sucesso dos Jogos e da Cidade, signifique um investimento maior em soluções de segurança urbana, em relação ao que se praticaria na Barra, valeria o preço.

Leia outra nota de Eduardo Cotrim, publicada nas Cartas dos Leitores do OGLOBO.